Esse Quam Videri

Aug 31

notesfromfrance:

Looks like Catalunya somewhere but I can’t place it. Rupit?

notesfromfrance:

Looks like Catalunya somewhere but I can’t place it. Rupit?

(Source: myinnerlandscape, via w-indsofchange)

“Acho que foi em 2004 que a vovó parou de andar. Simplesmente não conseguia mais, ela nunca foi muito ativa, dessas avós corre-mundo de novela, fazia mais o tipo avó de palavras-cruzadas, rezas católicas, Roberto Carlos e jogos do Internacional no radinho de pilhas. Meu avô era o oposto, estava sempre zanzando, sempre trazendo algo novo da rua, ou o usual hálito etílico da birita dominical com seus cupinchas de bar (quantas vezes ouvi a ordem “o almoço está quase pronto, vá buscar o seu avô!”). Eles não admitiriam – nem poderiam, entre tantos outros – mas sempre me senti o neto predileto, eu estava sempre por perto, era amoroso, gostava de brincar com os lóbulos molengas dela e assistir filmes de bang-bang e jogos de vôlei feminino com ele. Um dia meu avô me chamou no quarto. Supostamente minha avó não queria se levantar para tomar o último café do dia, e a lenga-lenga estava o deixando irritadiço. Então eu tive de dizer “ei, vô, a vó não caminha mais” e ele ficou meio confuso, as mãos na cintura, ofegando. Não deu outra, após alguns exames detalhados, o diagnóstico foi o tal do Mal de Alzheimer, coisa que só se dava com o avô dos vizinhos. Com mais alguns anos, minha avó deixou de se alimentar como um adulto, passou a se comunicar apenas com gemidos e sinais. E meu avô foi esquecendo quem eu era, quem era todo mundo. Só não esquecia da sua “Deusa”, como ele dizia, que estava sempre ali, na poltrona próxima à janela. Era um tanto irônico. Ela, com a memória de ferro intacta, vegetando. Ele, pra lá e pra cá nos corredores, perguntando às enfermeiras que horas o carro chegaria para levá-lo de volta para sua casa – onde ele já estava, de onde dificilmente saia. Na cabeça dele, estava, vai saber, na agência de Correios onde sempre trabalhou até uns 30 anos atrás. O tempo foi passando, ele deixou de assistir filmes de bang-bang, foi ficando cada dia mais esquecido, mas agressivo e impaciente, às vezes protagonizando umas cenas engraçadas, que a gente ria antes de chorar. Mas sempre zanzando. Corredor, cozinha, porta da frente sempre trancada, corredor, sala, banheiro, quarto de dormir. Como se estivesse num lugar nada residencial, trancado fora do mundo que levou décadas para construir. Então a vovó pegou uma pneumonia. Aí melhorou. Ficou ruim outra vez, os antibióticos não funcionavam. Até que me ligaram no meio da noite. “Ela piorou muito”, eu sabia, era apenas um eufemismo de quem não sabe como dar a notícia. Ao chegar no quarto, o rosto frio de quem não havia sofrido muito, os socorristas preenchendo formulários, legalizando o sono eterno. Ele deitado do lado, olhos fechados e o neuro-tique de mastigar as gengivas, sem nada desconfiar. Igual ele não discerniria, seria árduo explicar a diferença de vida e morte a um velhinho agredido por uma doença degenerativa avançada. Foi consenso não contar, às vezes a realidade apenas traz dores desnecessárias, felizes são os que vivem no mundo da lua. Pela manhã, enquanto ele contava piadas na sala, a funerária passou com o corpo. Isso foi há umas duas semanas, mais ou menos, e até hoje ele não perguntou por ela. Parece feliz, daquele jeito dele, dias bons, dias ruins, nenhum é igual. Não sei se foi o certo a fazer, mas foi o melhor. Há casos em que a correção não alivia o sofrimento de ninguém. Mas uma coisa me veio à cabeça, enquanto o padre fazia a extremunção divertindo o pessoal melhor do que faria Jerry Seinfeld, um verdadeiro showman. Será que ela não segurou a barra de viver entrevada esse tempo todo só para morrer quando justamente não o faria sofrer? Impossível saber, mas eu acho que sim, seria uma prova de amor contundente no meio dessa matilha de relações egoístas. E, apesar de não crer muito nessas coisas, também gosto de pensar que ela foi para um lugar melhor. Um lugar onde as pessoas lembram do seu nome.” — Gabito Nunes.   (via inverbos)

(Source: s-i-m-p-l-i-f-i-c-a-r, via flowerysadness)

“Não tenho me identificado muito com ninguém. Mas tudo bem. Levei um tempo até entender que pode ser muito libertador não se sentir parte de nada. E tu sabe como sou, dramatizo para dar às coisas a importância que originalmente elas não têm.” — Gabito Nunes.     (via inverbos)

(Source: s-i-m-p-l-i-f-i-c-a-r, via flowerysadness)

“Porque a vida segue. Mas o que foi bonito fica com toda a força. Mesmo que a gente tente apagar com outras coisas bonitas ou leves, certos momentos nem o tempo apaga. E a gente lembra. E já não dói mais. Mas dá saudade. Uma saudade que faz os olhos brilharem por alguns segundos e um sorriso escapar volta e meia, quando a cabeça insiste em trazer a tona, o que o coração vive tentando deixar pra trás.” — Caio Fernando Abreu.   (via thiaramacedo)

(Source: delator, via thiaramacedo)

(Source: color-canela, via welcome-to--hell)

Se eu amo quem você era e você mudou, então você não é mais a pessoa que era da qual eu amava. Logo, eu não te amo mais.” — Thiara Macedo (sdpm)

(via thiaramacedo)

“Já não cultivo esperanças, não procuro amores e nem perco noites de sono. Se o amor quiser aparecer será bem-vindo. Se não quiser, pouco importa.” — Caio Augusto Leite. (via thiaramacedo)

(Source: abreviadas, via thiaramacedo)

O amor da minha vida disse que só em outras vidas que vamos poder ficar juntos. Eu disse que não acreditava em outras vidas, ele disse que não acreditava no amor.” — Thiara Macedo (sdpm)

(via thiaramacedo)

Aug 30

(via simpatizante)

“É, embora eu queira muito, queira em dobro, não tem jeito deu querer por você. Por mais que eu tente, suas atitudes são quase uma lei natural, suas renuncias e grosserias estão em seu sangue. Todas minhas tentativas aparentam ter sido em vão, tentativas de te trazer de volta de onde nunca deveria ter saído, ou deveria? Não sei, afinal nunca fui dona da razão, muito menos de você. Mas sei que você foi dono do meu coração, e de todo meu amor, o qual você jogou em um canto qualquer. Deixou por ai tudo que fomos e tudo que não conseguimos ser. Então eu chorei, chorei pelo amor derramado, ofendido e aprisionado. E eu sinto muito termos nos perdido, sinto pelos valores não dados, erros cometidos e acertos não comemorados. E hoje, quando minha presença já não é sua rotina, eu senti falta das guerras cotidianas, dos abraços sem motivos e chingamentos inocentes. E amanha talvez sinta falta do seu sorriso, de nossas risadas, ou implicancias, de amanha eu ja não sei, nunca soube. Por enquanto me contento apenas com a culpa. Por toda culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. Voou para longe de mim, e terei que conviver com a incerteza de se um dia voltara. Só desejo que volte, e me permita ter a chance de concertar meus defeitos e erros, desejo que volte e volte em branco, para que possamos escrever novas historias, sem arrependimemtos ou armaguras. Mas nunca se sabe, afinal amanha já é outro dia.” — (via strong-g)